Casa de análise diz que resultado das urnas pode trazer de volta recursos no exterior e destravar uma onda de investimentos
A reação dos mercados ao primeiro turno pode ser apenas o começo de uma movimentação maior de dinheiro em direção ao Brasil. É o que avalia a Gavekal Research, uma das casas de análise macroeconômica mais acompanhadas por investidores globais.
Em relatório divulgado nesta quarta-feira, 7, Louis-Vincent Gave afirma que o resultado das urnas pode funcionar como gatilho tanto para a repatriação de recursos de brasileiros mantidos no exterior quanto para uma nova onda de investimentos institucionais estrangeiros no país.
A tese começa a encontrar respaldo nos números. Somente no primeiro pregão depois da eleição, investidores estrangeiros colocaram 10,06 bilhões de reais líquidos na B3, o maior aporte diário de 2026. Foi mais dinheiro em um único dia do que durante todo o mês de setembro. O saldo estrangeiro no ano saltou para 40 bilhões de reais.
Segundo Gave, existe historicamente na América Latina uma relação entre mudanças políticas e o destino do patrimônio das famílias mais ricas. Em períodos de governos de esquerda, parte desses recursos tende a migrar para centros como Miami, Montevidéu e Madri. A volta da direita, em sua avaliação, pode inverter esse movimento.
Há ainda um segundo efeito. A Gavekal argumenta que grandes investidores internacionais vinham encontrando dificuldade para fazer apostas relevantes na guinada econômica da América Latina porque mercados como Chile, Peru, Colômbia e Argentina são pequenos para os grandes fundos globais. O Brasil muda essa equação.
Com juros ainda elevados, moeda e ações consideradas baratas pela casa e um mercado financeiro muito maior que o dos vizinhos, o país poderia transformar uma aposta regional em uma alocação relevante dentro das carteiras globais.
A leitura da Gavekal ganhou companhia. Depois do primeiro turno, J.P. Morgan elevou sua recomendação para as ações brasileiras para overweight, enquanto o Morgan Stanley também passou a enxergar maior potencial de valorização para o mercado brasileiro.
A aposta, porém, está longe de ser consenso. A BlackRock, maior gestora de recursos do mundo, afirmou às vésperas da eleição que a capacidade brasileira de atrair investimentos de longo prazo dependerá mais de reformas fiscais e de ganhos de competitividade do que do resultado das urnas.
Fonte: veja.abril.com.br