Chanceler alemão vive momento atribulado com pressão da extrema direita, da esquerda e agora até de sua própria coalizão
Baerbel Bas, ministra do Trabalho alemã e copresidente do Partido Social-Democrata (SPD), de centro-esquerda, se demitiu de forma inesperada nesta segunda-feira, 12, em novo golpe para a já combalida coalizão da gestão de Friedrich Merz após derrotas contundentes em eleições estaduais no mês passado. O chanceler da Alemanha, da sigla União Democrata-Cristã (CDU), governa mediante uma aliança com o SPD que lhe garante uma maioria apertada no Parlamento.
Agora, toda a liderança do SPD passará por uma nova eleição em uma conferência especial do partido no final do ano.
Crise interna
Bas deixou ambos os cargos por motivos pessoais. Recentemente, ela perdeu sua enteada e afirmou que a lida com o luto ficou “insuportável” diante de ataques públicos “de dentro das fileiras do nosso parceiro de coalizão”, em referência à CDU. Como seu ministério supervisiona grande parte do generoso e oneroso sistema de bem-estar social alemão, ela tornou-se alvo de críticas constantes que a acusavam de impedir reformas econômicas e cortes de orçamento.
A saída de uma ministra normalmente não desestabilizaria um governo inteiro, mas a crise colocou ainda mais em evidência a turbulência das últimas semanas. A pressão sobre o governo Merz, que assumiu o posto de chanceler há cinco meses, aumentou com as vitórias do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) em eleições estaduais no leste do país no mês passado resultados interpretados como seu primeiro passo rumo à vitória nas eleições federais de 2029. Pouco depois, o partido de esquerda Die Linke atropelou a CDU nas eleições da capital Berlim.
No início de outubro, uma pesquisa da emissora pública alemã ARD revelou que apenas um em cada dez alemães se diz “satisfeito” ou “muito satisfeito” com o trabalho de Merz, o índice mais baixo registrado por qualquer chanceler desde o início da pesquisa, em 1997.
Desafios à frente
Em coletiva de imprensa, Merz disse ter instado a CDU a demonstrar “toda consideração, inclusive compaixão cristã” a Bas diante da morte de sua enteada. “Não vejo que tenhamos deixado de fazer isso de alguma forma”, sublinhou.
O chanceler substituiu a ex-ministra por Alexander Schweitzer, ex-governador do estado da Renânia-Palatinado, na chefia da pasta do Trabalho. Segundo ele, novas leis e reformas avancariam rapidamente sob sua liderança. “Queremos demonstrar nossa disposição para mudanças algo essencial dados os resultados das eleições”, acrescentou Merz.
Considerado uma figura pró-negócios, o chefe de governo alemão tem enfrentado dificuldades para conquistar apoio popular a medidas de disciplina fiscal diante do déficit de 71,3 bilhões de euros, o que corresponde a 3,1% do PIB (acima da meta de 3% da União Europeia). As políticas incluem o adiamento da idade de aposentadoria, aumento do custo dos planos de saúde e enfraquecimento das proteções aos trabalhadores.
O governo voltará a ser testado em outras cinco eleições regionais no próximo ano, as quais impactarão sua capacidade de aprovar leis importantes no Bundesrat, a câmara alta do parlamento composta por representantes dos 16 estados alemães.
Fonte: veja.abril.com.br