Fredrik Åkesson conta a VEJA sobre fase progressiva, fala da volta dos guturais e do que esperar dos shows em Curitiba e São Paulo
Quando entrou no Opeth, em 2007, o guitarrista sueco Fredrik Åkesson esperava tocar death metal. Gravou Watershed, de 2008, e pouco depois viu a banda abandonar os vocais guturais para mergulhar no rock progressivo dos anos 1970 em Heritage, de 2011. Eu só tinha feito um disco pesado com eles. Não diria que fui contra, mas fiquei um pouco surpreso. Então tive de lembrar que a banda já tinha feito vários discos com aquele elemento. Precisei deixar o ego de lado e tentar entender aquela direção.
A mudança dividiu o público, mas Åkesson diz que o tempo trabalhou a favor do disco. Para muitos fãs, foi uma surpresa. Mas também conheci muita gente que, quando entendeu o álbum, passou a amá-lo. Parece que ele foi crescendo aos poucos para muitas pessoas. Olhando para trás, tenho muito orgulho de Heritage.
Treze anos depois, os guturais voltaram em The Last Will and Testament, de 2024, disco conceitual sobre a leitura do testamento de um homem diante da família. Pareceu um bom momento, porque tínhamos levado aqueles discos progressivos ao auge com In Cauda Venenum. Era hora de fazer algo novo. E não foi uma volta ao passado, do tipo vamos fazer outro Blackwater Park ou outro Watershed. Ainda era algo novo.
É esse disco que a banda traz ao Brasil, com shows em Curitiba, na quinta-feira, 5, e em São Paulo, na sexta-feira, 6. É a primeira vez que o Opeth toca fora da capital paulista. Pelo menos três faixas do álbum estarão no repertório, que terá cerca de duas horas. O set é o mesmo dos shows especiais do verão europeu, que incluíram uma apresentação na antiga arena de gladiadores de Pompeia, na Itália.
Åkesson já declarou que a plateia sul-americana é a mais intensa do mundo e explica por quê. As pessoas cantam melodias intrincadas, mais do que em outras partes do mundo. Você se surpreende: elas cantam aquela partezinha que não é óbvia. Isso impressiona, lisonjeia e dá uma energia enorme no palco.
Os shows encerram o ciclo do disco, e a banda não deve fazer turnês em 2027. Mikael Åkerfeldt, vocalista e principal compositor, só começa a escrever quando termina a estrada. Ele não parece gostar de misturar esses dois mundos, diz o guitarrista.
Um dos destaques de The Last Will and Testament é a participação de Ian Anderson, do Jethro Tull, que faz a narração e acabou tocando flauta em Paragraph Four. Åkesson nunca encontrou o músico, que mandou os arquivos à distância. Toquei um solo de guitarra logo depois do solo de flauta dele e pensei: isso está mesmo acontecendo? Tive de me beliscar.
Na pausa do Opeth, Åkesson vai terminar o primeiro álbum solo, anunciado há anos. Eu falava disso havia tanto tempo que começou a ficar constrangedor. Então descobri o truque: reservei o estúdio. Tive de terminar de compor as músicas, e fiz isso em uma semana. A bateria, gravada por Waltteri Väyrynen, do Opeth, está pronta. Ele volta ao estúdio em dezembro e quer concluir o disco até o início de 2027. O álbum terá faixas instrumentais e vocalistas convidados, entre eles Ihsahn, da banda norueguesa Emperor. Åkerfeldt também pode aparecer.
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Fonte: veja.abril.com.br