Governo Delcy e opositores mantêm terceira rodada de negociações; ainda não há data definida para o pleito, que pode ser empurrado para 2028
O governo interino da Venezuela e a oposição ratificaram, na noite de quarta-feira 21, sua vontade de realizar eleições presidenciais no país, com o apoio dos Estados Unidos, informou o lado opositor. O anúncio ocorreu após a terceira rodada de negociações, que começou uma semana antes.
A chefe da delegação opositora, Dinorah Figuera, afirmou em entrevista coletiva que “a vontade política” das duas partes “é de que haja eleições” no país. Segundo ela, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, expressou em conversas anteriores que o governo do presidente Donald Trump quer “deixar um país democrático, um país que goze de instituições e um país que tenha eleições”.
Dinorah não mencionou uma data para a realização do pleito presidencial, mas em entrevista ao jornal El Nacional publicada na véspera ela manifestou esperança de que ele aconteça, “pelo menos, no fim do próximo ano ou no começo de 2028”.
A mesa de diálogo também acordou a revisão das leis para devolver as garantias aos partidos políticos e rever o processo de inabilitação de opositores.
Fora das negociações, notadamente, está María Corina Machado, líder oposicionista que conquistou o Nobel da Paz no ano passado por sua luta pela democracia na Venezuela. Após aproximar-se de Trump (e presentear-lhe com o prêmio físico que veio com a láurea), ela foi escanteada pelo governo americano no processo político que começou após a captura do ex-ditador Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos, em 3 de janeiro.
Desde então, a Casa Branca estreitou os laços com Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela e ex-vice de Maduro, ao passo que estendeu os tentáculos sobre o setor petrolífero da nação caribenha por meio de uma série de acordos econômicos — que ocorreram à revelia de eleições que Rubio, anteriormente, havia defendido que ocorressem o mais rápido possível.
Fonte: veja.abril.com.br