Governo Lula avalia que classificação do PCC e CV como terroristas possui poucos efeitos práticos
O governo brasileiro avalia como "política" a ação dos Estados Unidos que classificou as facções criminosas PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. A medida foi anunciada em 28 de maio pela Secretaria de Estado americana e começou a valer nesta sexta-feira. Nessa linha, agentes do Palácio do Planalto e da diplomacia acreditam que, num primeiro momento, a decisão tem poucos efeitos práticos. A ação também é considerada um aceno governo de Donald Trump ao pré-candidato brasileiro Flávio Bolsonaro, mais alinhado ideologicamente ao comando americano atual. Em termos econômicos, porém, já existe preocupação: a classificação abre espaço para que sejam aplicadas sanções contra pessoas, empresas ou bancos acusados de facilitar operações de lavagem de dinheiro. Ainda assim, fontes do governo enxergam pouca margem para uma intervenção armada, especialmente em ano eleitoral. O diretor-geral da Polícia Federal Andrei Rodrigues disse à TV Globo nesta sexta-feira que considera a designação um "equívoco". Ele ainda destacou a importância de monitorar possíveis mudanças na política americana de troca de informações e colaboração com o Brasil. A Polícia Federal ainda não foi comunicada sobre eventuais mudanças na cooperação com os Estados Unidos. O chefe da PF também defendeu a cooperação das autoridades brasileiras com os EUA para a prisão de foragidos que estão no território norte-americano e para o bloqueio do envio de armas para o Brasil O presidente da Febraban, Isaac Sidney, disse que a medida pode afetar investimentos, mas defendeu o diálogo. Armas do Comando Vermelho apreendidas em megaoperação no Rio de Janeiro Matheus Maciel / CBN A Receita Federal anunciou que negocia ir em missão aos Estados Unidos ainda neste mês para ampliar a cooperação no combate ao crime organizado. À CBN, o secretário especial Robinson Barreirinhas disse que o objetivo é aprofundar o cruzamento de dados com o fisco americano para rastrear o patrimônio de brasileiros envolvidos com o crime no exterior. Segundo o jornal O Globo, o governo brasileiro ainda avalia a conveniência ou não de uma nova reunião entre Lula e Trump durante o encontro do G7, entre os dias 15 e 17 deste mês na França. O entendimento é que não faria sentido pedir uma conversa, sendo que os dois chefes de Estado estiveram juntos no último dia 7 em Washington. Mesmo sem uma reunião formal, Lula e Trump, porém, devem inevitavelmente se encontrar durante a cúpula, já que o número de participantes é limitado. O G7 é formado pelas sete maiores economias do mundo. O Brasil não faz parte do grupo, mas foi convidado pelos anfitriões franceses para participar.

O governo brasileiro avalia como "política" a ação dos Estados Unidos que classificou as facções criminosas PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. A medida foi anunciada em 28 de maio pela Secretaria de Estado americana e começou a valer nesta sexta-feira. Nessa linha, agentes do Palácio do Planalto e da diplomacia acreditam que, num primeiro momento, a decisão tem poucos efeitos práticos. A ação também é considerada um aceno governo de Donald Trump ao pré-candidato brasileiro Flávio Bolsonaro, mais alinhado ideologicamente ao comando americano atual. Em termos econômicos, porém, já existe preocupação: a classificação abre espaço para que sejam aplicadas sanções contra pessoas, empresas ou bancos acusados de facilitar operações de lavagem de dinheiro. Ainda assim, fontes do governo enxergam pouca margem para uma intervenção armada, especialmente em ano eleitoral. O diretor-geral da Polícia Federal Andrei Rodrigues disse à TV Globo nesta sexta-feira que considera a designação um "equívoco". Ele ainda destacou a importância de monitorar possíveis mudanças na política americana de troca de informações e colaboração com o Brasil. A Polícia Federal ainda não foi comunicada sobre eventuais mudanças na cooperação com os Estados Unidos. O chefe da PF também defendeu a cooperação das autoridades brasileiras com os EUA para a prisão de foragidos que estão no território norte-americano e para o bloqueio do envio de armas para o Brasil O presidente da Febraban, Isaac Sidney, disse que a medida pode afetar investimentos, mas defendeu o diálogo. Armas do Comando Vermelho apreendidas em megaoperação no Rio de Janeiro Matheus Maciel / CBN A Receita Federal anunciou que negocia ir em missão aos Estados Unidos ainda neste mês para ampliar a cooperação no combate ao crime organizado. À CBN, o secretário especial Robinson Barreirinhas disse que o objetivo é aprofundar o cruzamento de dados com o fisco americano para rastrear o patrimônio de brasileiros envolvidos com o crime no exterior. Segundo o jornal O Globo, o governo brasileiro ainda avalia a conveniência ou não de uma nova reunião entre Lula e Trump durante o encontro do G7, entre os dias 15 e 17 deste mês na França. O entendimento é que não faria sentido pedir uma conversa, sendo que os dois chefes de Estado estiveram juntos no último dia 7 em Washington. Mesmo sem uma reunião formal, Lula e Trump, porém, devem inevitavelmente se encontrar durante a cúpula, já que o número de participantes é limitado. O G7 é formado pelas sete maiores economias do mundo. O Brasil não faz parte do grupo, mas foi convidado pelos anfitriões franceses para participar.

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