Lula volta a criticar Marco Rubio e afirma que secretário de Trump é 'latino-americano frustrado'
Durante discurso na reunião ministerial nesta quarta-feira (3), o presidente Lula voltou a criticar o secretário de Estado americano, Marco Rubio, que já havia sido alvo de questionamentos pelo presidente após anúncio da proposta de taxa de 25%. Lula afirmou que Rubio 'não gosta da América Latina e muito menos do Brasil', completando que ele seria um 'latino-americano frustrado'. Nessa terça (2), o secretário afirmou que o Brasil não era um país amigável para os EUA. O presidente Lula subiu o tom contra os Estados Unidos, disse que não aceita o tratamento dado nesta semana e avisou que o Brasil não vai baixar a cabeça diante do novo tarifaço anunciado pelo governo de Donald Trump. Foi a orientação de Lula durante a reunião ministerial, que ocorre nesta quarta, no Palácio do Planalto. Lula exigiu que a equipe não tenha medo das ameaças americanas e declarou que o país não vai ficar chorando. Segundo o presidente, se os Estados Unidos não quiserem comprar os produtos brasileiros, o governo vai procurar novos parceiros comerciais e vender para quem quiser comprar. Lula afirmou que o Brasil é dono do próprio nariz, soberano, e que não vai mais aceitar a política do vira-lata, nem admitir ser tratado como uma republiqueta. O presidente se mostrou indignado com a forma como a sanção foi comunicada. Ele revelou que foi pego de surpresa e que ficou sabendo das novas tarifas pela rede social, com base no que chamou de inverdades. Lula lembrou do recente encontro que teve com Trump, onde entregou documentos pessoalmente, e reclamou que, se alguém tivesse que aplicar taxas para equilibrar o comércio, deveria ser o Brasil contra os americanos. Lula prometeu enviar uma nova carta a Donald Trump e escrever artigos na imprensa internacional para mostrar a indução de uma violência desnecessária. O presidente também não poupou críticas a família Bolsonaro. Sem citar nominalmente o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro, classificou a atitude como traição a pátria e disse que agir com interesses rasteiros para tentar prejudicar o governo é uma imbecilidade que pune apenas a população e os empresários brasileiros. Reafirmando que não quer guerra nem com a China, nem com os Estados Unidos, Lula mandou um recado direto afirmando que Donald Trump não é o imperador do mundo. O presidente confirmou que vai levar a crise para a próxima cúpula do G7, onde pretende denunciar o que chamou de desmonte das instituições internacionais e cobrar o fortalecimento do multilateralismo. Entenda acusação do governo Trump para Brasil e outros países sobre trabalho forçado Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante discurso. Brendan SMIALOWSKI / AFP O governo Trump, através do escritório da representação comercial americana, fez a proposta de uma nova tarifa de 12,5% por falhas no combate ao trabalho forçado. Entre os países citados está o Brasil, ao lado de outros 53, que terão, caso o projeto avance, a maior taxa. Outros países e o bloco da União Europeia ficariam com a tarifa de 10%, um pouco menos. A investigação sobre o assunto foi aberta semanas após a Suprema Corte derrubar as sobretaxas aplicadas mundialmente. A prática é considerada 'irracional' e restringe o comércio dos Estados Unidos ao criar uma concorrência desleal para as empresas e trabalhadores americanos. A sobretaxa poderá ser de 12,5% ou 10%. A nova retaliação econômica de Washington também tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio e surge na esteira de outra investigação que propôs a sobretaxa de 25% contra o mercado brasileiro O comitê norte-americano estipulou uma taxa menor, de dez por cento, para mercados que possuem alguma proibição parcial ou acordos comerciais recíprocos, incluindo a Canadá, Equador, União Europeia, Indonésia, México e Paquistão. O Brasil foi incluído na faixa de maior tributação ao lado de parceiros comerciais como a China, Índia, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido. Segundo a agência americana de comércio, essas economias não apresentam regimes eficazes de controle do trabalho forçado O embaixador norte-americano Jamieson Greer declarou que a circulação global de mercadorias produzidas a custos artificialmente baixos gera concorrência desleal com as empresas locais. Em relação ao Brasil, a investigação concluiu que o país falhou em impor e fiscalizar uma proibição de importação de bens produzidos com trabalho forçado. O relatório concluiu que o Brasil carece de mecanismos legais e efetivos para impedir o trânsito dessas mercadorias no mercado interno. Os EUA não acusam diretamente os países de fomentarem o trabalho escravo, mas sim da falta de políticas para combater o tema. O que reclama o governo Trump é de uma maior permissividade para esses trabalhos que acarretariam na venda de produtos de forma mais barata, prejudicando, assim, o comércio das empresas americanas. As restrições alfandegárias norte-americanas passarão por uma etapa de consulta pública antes da aplicação definitiva sobre os países afetados. O Escritório C

Durante discurso na reunião ministerial nesta quarta-feira (3), o presidente Lula voltou a criticar o secretário de Estado americano, Marco Rubio, que já havia sido alvo de questionamentos pelo presidente após anúncio da proposta de taxa de 25%. Lula afirmou que Rubio 'não gosta da América Latina e muito menos do Brasil', completando que ele seria um 'latino-americano frustrado'. Nessa terça (2), o secretário afirmou que o Brasil não era um país amigável para os EUA. O presidente Lula subiu o tom contra os Estados Unidos, disse que não aceita o tratamento dado nesta semana e avisou que o Brasil não vai baixar a cabeça diante do novo tarifaço anunciado pelo governo de Donald Trump. Foi a orientação de Lula durante a reunião ministerial, que ocorre nesta quarta, no Palácio do Planalto. Lula exigiu que a equipe não tenha medo das ameaças americanas e declarou que o país não vai ficar chorando. Segundo o presidente, se os Estados Unidos não quiserem comprar os produtos brasileiros, o governo vai procurar novos parceiros comerciais e vender para quem quiser comprar. Lula afirmou que o Brasil é dono do próprio nariz, soberano, e que não vai mais aceitar a política do vira-lata, nem admitir ser tratado como uma republiqueta. O presidente se mostrou indignado com a forma como a sanção foi comunicada. Ele revelou que foi pego de surpresa e que ficou sabendo das novas tarifas pela rede social, com base no que chamou de inverdades. Lula lembrou do recente encontro que teve com Trump, onde entregou documentos pessoalmente, e reclamou que, se alguém tivesse que aplicar taxas para equilibrar o comércio, deveria ser o Brasil contra os americanos. Lula prometeu enviar uma nova carta a Donald Trump e escrever artigos na imprensa internacional para mostrar a indução de uma violência desnecessária. O presidente também não poupou críticas a família Bolsonaro. Sem citar nominalmente o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro, classificou a atitude como traição a pátria e disse que agir com interesses rasteiros para tentar prejudicar o governo é uma imbecilidade que pune apenas a população e os empresários brasileiros. Reafirmando que não quer guerra nem com a China, nem com os Estados Unidos, Lula mandou um recado direto afirmando que Donald Trump não é o imperador do mundo. O presidente confirmou que vai levar a crise para a próxima cúpula do G7, onde pretende denunciar o que chamou de desmonte das instituições internacionais e cobrar o fortalecimento do multilateralismo. Entenda acusação do governo Trump para Brasil e outros países sobre trabalho forçado Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante discurso. Brendan SMIALOWSKI / AFP O governo Trump, através do escritório da representação comercial americana, fez a proposta de uma nova tarifa de 12,5% por falhas no combate ao trabalho forçado. Entre os países citados está o Brasil, ao lado de outros 53, que terão, caso o projeto avance, a maior taxa. Outros países e o bloco da União Europeia ficariam com a tarifa de 10%, um pouco menos. A investigação sobre o assunto foi aberta semanas após a Suprema Corte derrubar as sobretaxas aplicadas mundialmente. A prática é considerada 'irracional' e restringe o comércio dos Estados Unidos ao criar uma concorrência desleal para as empresas e trabalhadores americanos. A sobretaxa poderá ser de 12,5% ou 10%. A nova retaliação econômica de Washington também tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio e surge na esteira de outra investigação que propôs a sobretaxa de 25% contra o mercado brasileiro O comitê norte-americano estipulou uma taxa menor, de dez por cento, para mercados que possuem alguma proibição parcial ou acordos comerciais recíprocos, incluindo a Canadá, Equador, União Europeia, Indonésia, México e Paquistão. O Brasil foi incluído na faixa de maior tributação ao lado de parceiros comerciais como a China, Índia, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido. Segundo a agência americana de comércio, essas economias não apresentam regimes eficazes de controle do trabalho forçado O embaixador norte-americano Jamieson Greer declarou que a circulação global de mercadorias produzidas a custos artificialmente baixos gera concorrência desleal com as empresas locais. Em relação ao Brasil, a investigação concluiu que o país falhou em impor e fiscalizar uma proibição de importação de bens produzidos com trabalho forçado. O relatório concluiu que o Brasil carece de mecanismos legais e efetivos para impedir o trânsito dessas mercadorias no mercado interno. Os EUA não acusam diretamente os países de fomentarem o trabalho escravo, mas sim da falta de políticas para combater o tema. O que reclama o governo Trump é de uma maior permissividade para esses trabalhos que acarretariam na venda de produtos de forma mais barata, prejudicando, assim, o comércio das empresas americanas. As restrições alfandegárias norte-americanas passarão por uma etapa de consulta pública antes da aplicação definitiva sobre os países afetados. O Escritório Comercial dos Estados Unidos receberá posicionamentos por escrito de representantes do setor privado até o dia seis de julho. O cronograma oficial divulgado pelo governo americano prevê a realização de audiências públicas em 7 de julho para debater as objeções tarifárias apresentadas pelas empresas. O governo americano aponta que a medida visa a enfraquecer o financiamento global do trabalho escravo moderno. No documento enviado contra a abertura do processo, o governo brasileiro afirmou que eventuais sanções unilaterais seriam desproporcionais e injustas contra um país que considera referência global no combate ao trabalho escravo.

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