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A reação de Zelensky ao ser perguntado se é usado por Trump como bode expiatório

Tensões entre EUA e Ucrânia aumentam após 'trégua energética' dar errado e presidente americano culpar o ucraniano, não Putin

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, respondeu com um sorriso e alguns segundos de silêncio ao ser questionado, nesta sexta-feira, 16, se estaria sendo usado como “bode expiatório” pelo presidente americano, Donald Trump, em meio ao agravamento das tensões entre Washington e Kiev.

“Esta é a minha resposta”, disse o ucraniano durante uma coletiva de imprensa em Bruxelas, na Bélgica, onde participou de uma cúpula da União Europeia (UE).

Embora tenha evitado confrontar diretamente o presidente americano, Zelensky demonstrou insatisfação com as recentes declarações de Trump, que afirmou ser mais difícil negociar com o líder ucraniano do que com o presidente russo, Vladimir Putin. Para contestar a comparação, Zelensky lembrou que a Rússia lançou, segundo ele, cerca de mil drones contra o território ucraniano na quinta-feira, 15. “Mil! Mas o lado americano afirma que é difícil falar com Zelensky e que é menos difícil lidar com Putin. Fala sério, por favor”, declarou.

Tensões entre Kiev e Washington

A declaração ocorre após Trump pedir a substituição de Zelensky, em resposta às críticas do ucraniano a um acordo entre Washington e Moscou para o fornecimento de diesel russo aos Estados Unidos. O republicano também condenou a retomada dos ataques da Ucrânia contra refinarias de petróleo da Rússia, classificando a ofensiva como uma “vergonha” e acusando o governo ucraniano de contribuir para a alta dos preços dos combustíveis no mercado internacional.

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“Tudo o que ele (Zelensky) está fazendo é elevar o preço mundial do petróleo. Bem, acho isso uma vergonha”, disse o presidente americano em entrevista à emissora Newsmax, exibida na noite de quinta-feira 15. Há muitos alvos que você pode atingir, mas, quando mira em refinarias de diesel, onde se produz, sabe, óleo diesel, e nós precisamos disso, e o mundo precisa disso, então ele não está prestando um bom serviço ao mundo, acrescentou.

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+ Acordo de Trump com Putin para compra de diesel provoca revolta entre republicanos

Além das divergências diplomáticas, a limitação dos serviços do Starshield, sistema militar de comunicação por satélite da SpaceX, empresa de Elon Musk, ampliou o atrito entre os dois países. Autoridades ucranianas relataram restrições a partir de quarta-feira, 14, que prejudicaram operações militares com drones, interromperam missões e dificultaram a logística na linha de frente. O serviço é utilizado pelas forças de Kiev tanto em ações defensivas quanto em ataques contra alvos militares em territórios ocupados pela Rússia. 

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Nesta sexta-feira, um funcionário americano, que falou sob condição de anonimato à agência de notícias AFP, negou que Trump tenha determinado as restrições. A declaração veio após Musk afirmar que “qualquer limite de velocidade ou uso” dos sistemas Starshield de sua empresa foi “decidido pelo Exército americano e, em última instância, pelo POTUS”, sigla em inglês para presidente dos Estados Unidos.

“O presidente nunca fez nenhum pedido deste tipo”, disse o funcionário do governo americano ao responder se a ordem havia partido da Casa Branca.

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Tecnologia vital

O sistema Starlink tornou-se uma ferramenta fundamental para as forças ucranianas desde fevereiro de 2022. A rede de satélites permite manter comunicações em áreas atingidas pela guerra, coordenar tropas e controlar drones usados em missões de ataque, reconhecimento e logística. A capacidade de manter conexões em um ambiente sujeito à interferência eletrônica também contribuiu para sua importância no conflito.

A dependência de uma infraestrutura privada, porém, deixa parte das operações militares vulnerável a mudanças no serviço. Diante das falhas, o Ministério da Defesa ucraniano começou a reunir informações das unidades afetadas e a avaliar alternativas de comunicação. Até a tarde desta quarta-feira, Kiev mantinha conversas com a SpaceX, autoridades americanas e parceiros da Otan para tentar contornar o problema. A empresa não havia divulgado uma explicação pública para as restrições.

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Fonte: veja.abril.com.br

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