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Abstenção e discurso antissistema: a estratégia do PT para o segundo turno

Pedro Rousseff (PT-MG) afirma que campanha de Lula precisa mudar comunicação, priorizar segurança pública e apresentar novos projetos

A campanha de Lula precisa dar um cavalo de pau no segundo turno para buscar os eleitores que não foram votar na primeira etapa e mudar a percepção de que o PT representa o sistema político, segundo Pedro Rousseff (PT-MG), vereador de Belo Horizonte e deputado federal eleito. Em entrevista ao programa Ponto de Vista, de VEJA, ele afirmou que a campanha precisa alterar a comunicação, ampliar o diálogo com segmentos do eleitorado e se apresentar como uma alternativa ao sistema que, na avaliação dele, hoje é associado a Lula.

Rousseff, que se propõe a ser um contraponto a figuras como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) por meio da atuação nas redes sociais, discursos contundentes e apelo junto aos jovens , foi um dos participantes da reunião desta quarta-feira, 7, com Lula. O encontro reuniu deputados supervotados e populares no meio digital com o objetivo de discutir a estratégia da comunicação da campanha nas redes.

Por que o PT precisa se apresentar como antissistema?

Rousseff afirmou que o resultado do primeiro turno mostrou a necessidade de uma mudança profunda na estratégia da campanha. Para ele, Jair Bolsonaro passou a representar uma ideia de mudança, enquanto Lula e o PT ficaram associados ao sistema. De um lado, Bolsonaro, ele representa a mudança e do outro lado nós e o Lula. Nós parecemos como o sistema, disse.

Na avaliação do deputado eleito, o PT precisa reagir a essa percepção e se apresentar como antissistema. Segundo ele, isso passa por mostrar que setores do Centrão estão apoiando Bolsonaro e explorar a ideia de que o adversário poderá ocupar o governo com aliados políticos. Ou a gente se mostra como antissistema [… ] ou a gente vai ser sim taxado como o sistema e vai perder essas eleições, afirmou. Vale lembrar que os principais partidos do Centrão PP, União Brasil e Republicanos tiveram ministros durante o atual governo Lula.

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Rousseff disse que levou essa preocupação a Lula durante o encontro com a campanha. Para ele, o partido não pode simplesmente discutir se a comunicação do primeiro turno foi boa ou ruim. Eu pessoalmente não vou ficar choramingando o passado, afirmou. O foco, segundo ele, deve estar nas mudanças necessárias para o segundo turno.

Como a campanha pretende buscar quem não votou?

A estratégia passa também pelos eleitores que se abstiveram no primeiro turno. Questionado sobre o grande número de pessoas que não foram às urnas, Rousseff afirmou que a campanha precisa olhar para o cenário atual e agir imediatamente, em vez de se concentrar nos erros cometidos anteriormente.

Entre as mudanças defendidas por ele está uma nova comunicação nas redes sociais. Rousseff citou como exemplo a publicação de vídeos de Lula em formato de selfie, que, segundo ele, tiveram desempenho recorde. A ideia, de acordo com o deputado eleito, é tornar a comunicação mais direta e capaz de alcançar públicos que não foram mobilizados no primeiro turno.

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Outra frente é a segurança pública. Rousseff afirmou que o PT precisa abandonar a percepção de que a esquerda seria condescendente com a criminalidade. Segundo ele, Lula passou a adotar um discurso mais enfático sobre o tema, resumido no lema: para o trabalhador, proteção e para o bandido, prisão.

O deputado eleito também defendeu que a campanha deixe de falar apenas sobre o que os governos petistas já fizeram e apresente um projeto para os próximos anos. O que nós temos agora para poder apresentar e ganhar essas eleições para fazer pelos próximos quatro anos? , questionou.

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E como ampliar o diálogo com outros eleitores?

Rousseff apontou ainda a necessidade de o PT se aproximar do eleitorado evangélico. Segundo ele, o partido perdeu interlocução com esse segmento e precisa apresentar propostas voltadas a questões consideradas básicas pela população, como segurança, alimentação, transporte e liberdade para exercer a fé.

Na avaliação do petista, a campanha também precisa reconhecer que as igrejas ganharam espaço nas periferias enquanto o Estado perdeu presença nesses territórios. Por isso, defendeu que o poder público volte a atuar de maneira mais próxima dessas comunidades.

Outra aposta para o segundo turno são os debates entre Lula e Jair Bolsonaro. Rousseff reconheceu que a ausência de Lula nos debates do primeiro turno foi um erro, embora tenha afirmado que, naquele momento, a campanha acreditava que a estratégia seria adequada. Agora, segundo ele, o presidente deverá participar do maior número possível de debates.

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Para Rousseff, portanto, a mudança pretendida pelo PT não se resume à comunicação. O partido precisa alterar a forma de falar sobre segurança, apresentar um projeto para o futuro, ampliar sua interlocução com segmentos do eleitorado e disputar a ideia de mudança com o adversário. A gente não pode brigar com as urnas, nós estamos perdendo, afirmou.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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Fonte: veja.abril.com.br

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