Reginaldo Faria lida com envelhecimento e invisibilidade em novo filme: ‘Já estava pronto para o personagem’

Vida e arte com frequência se misturam no cinema. Para além de trajetórias pessoais que esbarram com as dos personagens, em “Perto do Sol é Mais Claro” há uma mistura familiar. Enquanto Reginaldo Faria interpreta o octogenário Rêgi – um engenheiro de 85 anos que, ao lidar com o luto da morte de sua companheira, decide escrever um livro –, seu primogênito, Regis Faria, é responsável pelo roteiro e pela direção do longa. Titãs levam turnê de 'Cabeça Dinossauro' ao Festival de Inverno Rio 2026 'Afrociberdelia', de Chico Science & Nação Zumbi, completa 30 anos O trabalho em família, no entanto, não para por aí. Marcelo e Carlos André Faria, filhos do meio e caçula, respectivamente, também estrelam a produção como filhos de Rêgi. O longa estreou na quinta-feira (14) nos cinemas. Em entrevista ao Estúdio CBN nesta sexta-feira (15), Reginaldo fala sobre suas semelhanças com o personagem: um homem que lida com seu envelhecimento e, consequentemente, com sua invisibilidade. “Já tenho essa experiência, não com a morte, mas com a própria separação. Quando você se separa de uma pessoa que amou durante muitos anos, a dor é quase que próxima à dor do luto. Então, eu já estava pronto para o personagem, o Regis só teve o trabalho de me ‘pescar’. (...) É evidente que, quando envelhecemos, reclamamos quando não somos atendidos, quando não somos ouvidos… Mas, assim como o personagem reagiu, criando as coisas dele, escrevendo os livros, trabalhando em sua obra, eu sou exatamente igual. Então, isso faz parte da vida. E o que me cabe nesse mundo e nessa vida do cinema é existir, continuar existindo no meu movimento, na minha criatividade, nas coisas que eu posso contribuir”, divide. A ideia para o longa, como Regis também conta em entrevista, surgiu durante a pandemia do Covid-19. Na época, Reginaldo havia se mudado para a casa do filho mais velho, após passar por uma separação. “Essa história de juntarmos todos (filhos e pai) veio a partir de um desejo meu de fazer cinema autoral e de trabalhar com meu pai em uma fase mais madura da minha carreira. Estávamos no meio da pandemia e, quando ele veio morar comigo, sugeri de fazermos o filme. Não foi de uma forma usual, foi uma produção nossa, sem equipe, usando uma câmera que eu tinha. Sem dinheiro, sem verba. Para ambos, no entanto, não fazia sentido colocar o protagonista em posição de “vítima”, ao ser um idoso que se torna socialmente invisível, mas mostrar que os desejos e a produtividade continuam presentes na vida de pessoas mais velhas. "Manter-se vivo e com saúde, anseios, perspectivas e com olhares para o movimento e para a criatividade são coisas fundamentais. Sou absolutamente contra a quem põe o pijama e diz que vai ver televisão porque já se aposentou. Odeio a aposentadoria e não faço isso pelos olhares da invisibilidade. Faço as coisas porque gosto de viver, de existir. O personagem se encaixou perfeitamente dentro da minha história”, completa Reginaldo. Ouça a entrevista completa:

Reginaldo Faria lida com envelhecimento e invisibilidade em novo filme: ‘Já estava pronto para o personagem’

Vida e arte com frequência se misturam no cinema. Para além de trajetórias pessoais que esbarram com as dos personagens, em “Perto do Sol é Mais Claro” há uma mistura familiar. Enquanto Reginaldo Faria interpreta o octogenário Rêgi – um engenheiro de 85 anos que, ao lidar com o luto da morte de sua companheira, decide escrever um livro –, seu primogênito, Regis Faria, é responsável pelo roteiro e pela direção do longa. Titãs levam turnê de 'Cabeça Dinossauro' ao Festival de Inverno Rio 2026 'Afrociberdelia', de Chico Science & Nação Zumbi, completa 30 anos O trabalho em família, no entanto, não para por aí. Marcelo e Carlos André Faria, filhos do meio e caçula, respectivamente, também estrelam a produção como filhos de Rêgi. O longa estreou na quinta-feira (14) nos cinemas. Em entrevista ao Estúdio CBN nesta sexta-feira (15), Reginaldo fala sobre suas semelhanças com o personagem: um homem que lida com seu envelhecimento e, consequentemente, com sua invisibilidade. “Já tenho essa experiência, não com a morte, mas com a própria separação. Quando você se separa de uma pessoa que amou durante muitos anos, a dor é quase que próxima à dor do luto. Então, eu já estava pronto para o personagem, o Regis só teve o trabalho de me ‘pescar’. (...) É evidente que, quando envelhecemos, reclamamos quando não somos atendidos, quando não somos ouvidos… Mas, assim como o personagem reagiu, criando as coisas dele, escrevendo os livros, trabalhando em sua obra, eu sou exatamente igual. Então, isso faz parte da vida. E o que me cabe nesse mundo e nessa vida do cinema é existir, continuar existindo no meu movimento, na minha criatividade, nas coisas que eu posso contribuir”, divide. A ideia para o longa, como Regis também conta em entrevista, surgiu durante a pandemia do Covid-19. Na época, Reginaldo havia se mudado para a casa do filho mais velho, após passar por uma separação. “Essa história de juntarmos todos (filhos e pai) veio a partir de um desejo meu de fazer cinema autoral e de trabalhar com meu pai em uma fase mais madura da minha carreira. Estávamos no meio da pandemia e, quando ele veio morar comigo, sugeri de fazermos o filme. Não foi de uma forma usual, foi uma produção nossa, sem equipe, usando uma câmera que eu tinha. Sem dinheiro, sem verba. Para ambos, no entanto, não fazia sentido colocar o protagonista em posição de “vítima”, ao ser um idoso que se torna socialmente invisível, mas mostrar que os desejos e a produtividade continuam presentes na vida de pessoas mais velhas. "Manter-se vivo e com saúde, anseios, perspectivas e com olhares para o movimento e para a criatividade são coisas fundamentais. Sou absolutamente contra a quem põe o pijama e diz que vai ver televisão porque já se aposentou. Odeio a aposentadoria e não faço isso pelos olhares da invisibilidade. Faço as coisas porque gosto de viver, de existir. O personagem se encaixou perfeitamente dentro da minha história”, completa Reginaldo. Ouça a entrevista completa: