‘Trump não é capaz de pressionar Israel’, diz especialista sobre credibilidade de acordo entre EUA e Irã

Os Estados Unidos e o Irã anunciaram um acordo de paz no domingo (14). A informação foi confirmada pelo presidente americano, Donald Trump, em publicação na rede social Truth Social, bem como pela agência de notícias iraniana e pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif. Trump ainda confirmou a reabertura do Estreito de Ormuz, o fim do bloqueio naval aos portos do Irã e a suspensão das hostilidades em todas as frentes, inclusive no Líbano. Ataque da Rússia com 70 mísseis e 611 drones deixa ao menos nove mortos na Ucrânia Macron diz que tratado entre EUA e Irã e segurança do Líbano serão temas centrais da cúpula do G7 O premiê paquistanês anunciou também que a cerimônia oficial de assinatura do tratado está marcada para a próxima sexta-feira (19), em Genebra, na Suíça, e dará início a uma nova fase de negociações de 60 dias. A presença do presidente dos EUA é incerta e, de acordo com a imprensa americana, ele pode ser representado pelo vice JD Vance ou pelo secretário de Estado, Marco Rubio. Apesar do acordo, o exército de Israel atacou no domingo a capital do Líbano, Beirute, em resposta às investidas do Hezbollah no norte de Israel. Ainda, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou nesta segunda-feira (15) que o país continuará a ocupar partes do Líbano, da Síria e da Faixa de Gaza “indefinidamente”. Destruição de Beirute, no Líbano, após ataque de Israel. AFP Em entrevista ao Jornal da CBN desta segunda-feira (15), Vinicius Rodrigues Vieira, professor de Relações Internacionais da FGV e da FAAP, diz que a credibilidade do acordo é “automaticamente minada” após as notícias recentes de Israel. “O Líbano é um ponto crucial (para o acordo), porque temos ali o Hezbollah, um grupo com atividades terroristas apoiado pelo Irã. Enquanto essa questão não for resolvida, pelo menos um cessar fogo com claro compromisso por parte do lado israelense, acredito que qualquer acordo que venha a ocorrer seja muito frágil. Além do Líbano, acredito que o mais difícil é a questão nuclear. Ainda não está claro como se dará, ainda é tão incerto quanto antes. Mas o mercado já ‘comprou’ a narrativa de Trump, tanto que abriu em alta e com os preços do petróleo em baixa”, fala. Diante de uma série de acusações na Justiça por corrupção, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pode ser processado dentro do framework israelense. Esse cenário, eventualmente, pode impactar nas eleições em Israel em outubro. “Para Netanyahu é interessante ter um inimigo externo, mas isso vai contra os interesses dos Estados Unidos que, desesperadamente, querem a reabertura do Estreito de Ormuz e um Irã não-nuclear. Mas Trump é fraco e não é capaz de pressionar Israel em relação a isso”, diz o professor. Ouça a entrevista completa:

‘Trump não é capaz de pressionar Israel’, diz especialista sobre credibilidade de acordo entre EUA e Irã

Os Estados Unidos e o Irã anunciaram um acordo de paz no domingo (14). A informação foi confirmada pelo presidente americano, Donald Trump, em publicação na rede social Truth Social, bem como pela agência de notícias iraniana e pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif. Trump ainda confirmou a reabertura do Estreito de Ormuz, o fim do bloqueio naval aos portos do Irã e a suspensão das hostilidades em todas as frentes, inclusive no Líbano. Ataque da Rússia com 70 mísseis e 611 drones deixa ao menos nove mortos na Ucrânia Macron diz que tratado entre EUA e Irã e segurança do Líbano serão temas centrais da cúpula do G7 O premiê paquistanês anunciou também que a cerimônia oficial de assinatura do tratado está marcada para a próxima sexta-feira (19), em Genebra, na Suíça, e dará início a uma nova fase de negociações de 60 dias. A presença do presidente dos EUA é incerta e, de acordo com a imprensa americana, ele pode ser representado pelo vice JD Vance ou pelo secretário de Estado, Marco Rubio. Apesar do acordo, o exército de Israel atacou no domingo a capital do Líbano, Beirute, em resposta às investidas do Hezbollah no norte de Israel. Ainda, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou nesta segunda-feira (15) que o país continuará a ocupar partes do Líbano, da Síria e da Faixa de Gaza “indefinidamente”. Destruição de Beirute, no Líbano, após ataque de Israel. AFP Em entrevista ao Jornal da CBN desta segunda-feira (15), Vinicius Rodrigues Vieira, professor de Relações Internacionais da FGV e da FAAP, diz que a credibilidade do acordo é “automaticamente minada” após as notícias recentes de Israel. “O Líbano é um ponto crucial (para o acordo), porque temos ali o Hezbollah, um grupo com atividades terroristas apoiado pelo Irã. Enquanto essa questão não for resolvida, pelo menos um cessar fogo com claro compromisso por parte do lado israelense, acredito que qualquer acordo que venha a ocorrer seja muito frágil. Além do Líbano, acredito que o mais difícil é a questão nuclear. Ainda não está claro como se dará, ainda é tão incerto quanto antes. Mas o mercado já ‘comprou’ a narrativa de Trump, tanto que abriu em alta e com os preços do petróleo em baixa”, fala. Diante de uma série de acusações na Justiça por corrupção, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pode ser processado dentro do framework israelense. Esse cenário, eventualmente, pode impactar nas eleições em Israel em outubro. “Para Netanyahu é interessante ter um inimigo externo, mas isso vai contra os interesses dos Estados Unidos que, desesperadamente, querem a reabertura do Estreito de Ormuz e um Irã não-nuclear. Mas Trump é fraco e não é capaz de pressionar Israel em relação a isso”, diz o professor. Ouça a entrevista completa: